segunda-feira, 29 de junho de 2009

Viva a liberdade, a nossa!


O governo hondurenho passa por um drama vivido por nós nos sessenta e setenta, atônita, a população assiste os militares seqüestrarem seu presidente – de esquerda – e tomarem conta do país, apoiados por igreja e grupos de direita. Nossas tão famigeradas forçam estrangeiras se resumem a condenar esta interferência por meio de inúteis pronunciamentos escritos, os governos dos EEUU e Brasil, que se gabam por serem potencias democráticas em nada interferem – o autoproclamado bolivariano Chaves ameaça intervir militarmente, o único. O que cabe a nós americanos? O que cada cidadão comum pode e deve fazer a favor da democracia em nosso continente e no mundo? Meramente assistir na televisão os noticiários tendenciosos de grandes conglomerados da mídia não deveria estar em nossos planos.
Não digo que tenhamos que atear fogo em alguém ou seqüestrar representantes desses ditadores calhordas. A juventude – mas, sobretudo os de meia idade que viveram o horror da ditadura e clamaram por ajuda externa – deve agir.
Tenho boas lembranças da época em que não vivi, quando havia reuniões em casas de companheiros (nessa época um conceito bonito de se aplicar, tão escasso hoje em dia) e se pensava sobre nossos vizinhos; nos bares se falava em algo mais, muito além da novela das oito ou o que levar e fazer nas festas da prefeitura.
Um ato silencioso poderia surtir efeito. Ledo engano meu, já estamos em silencio. Nosso grito deve ecoar pela América Latina, Central, nosso grito de apoio – já que há gente com tanta voz para gritar em shows de axé ou em funerais de astros do pop. A internet existe agora, em detrimento dos nossos anos de chumbo, podemos fazer um estrago inimaginável usando-a – basta substituir um minuto de nosso tempo em sites de relacionamento (onde passamos horas para mostrar ao mundo que odiamos isso ou aquilo) e nos determos numa campanha global (e que não seja uma campanha para reivindicar uma turnê da boy band mais badalada do momento em nosso país).
Que essa seja a semente: liberdade, liberdade! Podemos falar e gritar, mas quem quer ouvir? Quem quer ler sobre isso? Os dias se passam e vejo que só ansiamos a liberdade de escrita e fala quando as temos cerceadas – quem de fato viveu o verdadeiro cárcere diz que está cansado e joga esse fardo em nós jovens e quem não viveu diz não saber como agir por falta de experiência.
Além do grito, ou sussurro quase não ouvido, podemos realmente calar; assistir aos programas de domingo da TV aberta e vermos o enterro de nossa última quimera – a liberdade jogada fora, o direito adquirido de fazer algo e preferir dormir, falar em paz e igualdade e nos trancarmos em nossos condomínios. Viva a nossa liberdade! Pêsames aos hondurenhos! Passamos mais de vinte anos num regime em que o povo de fora via atônito e pouco fazia para nos ajudar, espero que tenham melhor sorte – já que se depender de nossa juventude engajada nosso apoio não passará de muros pichados e tópicos em comunidades de relacionamento na internet.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sentado 'aqui' no quarto de pijama...

A letra do célebre Raul, sobre visitas inconvinientes em nossa casa e a mínima vontade do anfitrião em recebe-las, me cai como uma luvas nos pensamentos sobre a famigerada politica externa - seja fora de nossos quartos ou de nossas pátrias. O reeleito presidente persa nos mostrou um viés que pode ser seguido, se o caro leitor não se importar de ser tido como um péssimo anfitrião: 'a casa é minha, entra quem eu quero', é mais ou menos o que faz o presidente ao expulsar a imprensa extrangeira que tenta melar o processo eleitoral ocorrido pelas bandas de lá. Oras, todo mundo sabe de quem são os interesses a respeito da dita imprensa livre entrar e forjar verdades no Irã - dos ocidentais cheios de orgivas e com medo de um processo nuclear de um país em crescimento e abertamente contra o "American 'dollar' Way of Life".
Mídia livre? De quem e para quê? Com e-mails, telefones e correspondências todas rastreadas, uma potência acusa a outra (ambas petrolíferas) de não dar a tão falada, mas inexistente, liberdade de expressão.
Tranquemos-nos também de pijama no quarto e esperos a visita sair; dizem que colocar a vassoura atrás da porta funciona, caso contrário, temos o direito de ter em nossa casa apenas quem desejamos!

domingo, 31 de maio de 2009

Mostrando quem manda.

"Dia sem fumo". Passou-se. Ambíguo esse dia. A sociedade nos dita suas regras e temos que segui-las, também que driblá-las - para que as exceções façam as tais regras. Pois bem, Nietzsche fazia a excepção: por que temos que ser simpáticos? Não fume, seja fiel, reze, chore, vote... tudo invenção da sociedade para nos aprisionar em grilhões que as autoridades, físicas ou metafísicas, nos vigiem (como refletia o tal Foucault) - e, claro, existem várias instâncias para que sejamos presos: O padre (pedófilo) que lhe batizou (ou o "irmão" da rádio pirata que enche o saco pra ganhar um 'dindin' no fim do mês e pagar o aluguel do templo), o marido machista que farra toda sexta - mas chama a mulher de puta quando ela quer beber uma cerveja com amigas de infância... E os vizinhos, pais, patrões (todos avatares de um símbolo de aprisionamento) que dizem o que se deve, ou não, fazer com toda probidade, mas sem nenhum embasamento! Não fume (o que quer que seja), pois o primo do vizinho da cunhada de uma amiga do cobrador do ônibus fumou e espancou a mãe - além de morrer de uma doença genética, mas que insistiram em dizer que foi por causa do "fumo" (deus quis assim!)!!!!
Oras, liberdade individual deveria ser cartilha no pré e nos cursos de reciclagem de coroas. Deixem seus filhos darem a quem quiserem e fumarem o que bem entenderem, desde que não prejudiquem outrem. Não adoeçam num casamento falido por mera convenção; mandem seu patrão (que insiste no velho assédio moral) ir à merda. Vivam! Vivam sem se preocuparem com as opiniões do pastor ou patrão, morram por isso!
Somos todos donos de nossas cabeças e devríamos fazer delas o que bem entendermos. Respeitemos o próximo e não esperemos ordens de deus, papai, patrão ou maridinho. A outra opção é sonhar em fazer isso e trasnportar o trauma de não ter feito em sua prole. mais práticco isso.

sábado, 23 de maio de 2009

Dedicatória

Todo autor brilhante deve dignar-se a eternizar seus escritos, uma dedicatória e breve explicação de sua existência é cabal em seus primórdios, não posso ser omisso nesse ponto tão crucial - afinal, um bom começo é a chave de um término bem sucedido.


Então: à Balzac. À sua "Comédia Humana"; aos hábitos da sociedade, sejam quais forem, cruamente descritos nesse blog - um aborto da Comédia que o sucedeu. Não necessariamente obras primas da análise das sociedades, somente vistas e escritas sobre as nuances que cercam nosso maior pormenor (a vida). Por fim, dedico esse trabalho também a mim; aos que já se foram e aos que ainda insistem em vir.

Que o espetáculo comece!